domingo, 4 de fevereiro de 2007

Dom Aldo Pagotto X IURD



Depois de alguns dias sem postar por conta do trabalho no novo site, voltei.

Queria partilhar esta materia que saiu no terra:



PB: arcebispo critica templo suntuoso da Universal



A inauguração do Templo Maior da Igreja Universal do Reino de Deus em João Pessoa levou o arcebispo da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, a dizer que a mercantilização da fé é altamente rentável e que os líderes da Universal induzem o povo de boa fé a alcançar a prosperidade material em formas imediatistas.
Com 17 mil metros quadrados de área construída, o Templo Maior da Universal será inaugurado neste domingo na principal avenida da Capital paraibana, a Epitácio Pessoa. Possui ambiente climatizado para mais de cinco mil pessoas. O valor da obra, que demorou dois anos para ser concluída, não foi divulgado.
As críticas do Arcebispo da Paraíba foram feitas através de uma nota oficial. Para ele, pessoas não esclarecidas tornam-se adeptas desses grupos religiosos, submetendo-se à suposta expulsão das maldições e desgraças que atrasam suas vidas.
"São, porém, induzidas a contribuir com coletas. Essa condição é inegociável, demonstrando assim sua confiança em Deus". Embora reconheça que o aumento dos grupos religiosos que critica sejam por ausência e omissão tanto da igreja Católica quanto de outras confissões evangélicas, Dom Aldo alerta que a mercantilização da fé gera muito dinheiro atraindo quem busca realização pessoal.
"Os que se 'enricaram' com malas cheias de dinheiro foram absolvidos. O deus dinheiro é poderoso... Mas Jesus Cristo condena o acúmulo financeiro quando este não gera vida e rompe a comunhão solidária e fraterna", conclui Dom Aldo Pagotto.
InvejaAs críticas do arcebispo da Paraíba foram taxadas como inveja por parte do Pastor Fausto Oliveira, da Igreja Universal. "Ele precisa refletir, se desculpar. Para ele fica muito ridículo uma opinião dessa", diz o Pastor, completando: "nos pregamos a paz, não queremos guerra".
Oliveira diz que desde que a nota foi divulgada já recebeu muitas ligações de solidariedade, inclusive de católicos que também contribuíram com doações voluntárias, segundo ele, para a construção do Templo. "A opinião dele não reflete a dos católicos. Não fique com inveja não arcebispo, pode participar conosco", convoca o Pastor, lembrando que Dom Aldo recebeu convite para a inauguração do Templo neste domingo.
Quanto ao valor da obras, o pastor prefere dizer que tudo foi feito com doações dos fiéis, através de dízimos. "O valor é assunto de economia interna da instituição", desconversa.


Veja a íntegra da nota oficial:


Inaugura-se na capital paraibana mais um dos suntuosos templos da autodenominada "Igreja universal do reino de Deus". A proliferação desse e de outros grupos congêneres deve-se às promessas propaladas por seus líderes, induzindo o povo de boa fé a alcançar a prosperidade material em formas imediatistas. Mantendo plantões de atendimentos, atraem pessoas que buscam respostas para os seus problemas emocionais e financeiros, como num pronto-socorro espiritual. Independente da confissão religiosa particular, evangélica, católica, espírita ou livre-pensadora, as pessoas acumuladas de problemas são orientadas a freqüentar sessões de doutrinação, curas, exorcismos e "descarregos". Seguidamente, poderão adquirir artigos que atraem graças celestiais, encontrados como ofertas do dia nas tais sessões, ou no shopping da igreja. Devem depositar sua confiança nas dádivas celestiais estando de posse desses objetos que chamam prosperidade material.
Diante de prementes carências, pessoas não esclarecidas, sem acompanhamento em uma comunidade de fé e vida, em breve tempo, tornam-se adeptas desses grupos religiosos, submetendo-se à expulsão das maldições e desgraças que atrasam suas vidas. São, porém, induzidas a contribuir com coletas. Essa condição é inegociável, demonstrando assim, sua confiança em "Deus". Ora, quando sofremos, nossa tendência é buscar soluções milagrosas, mesmo sabendo que podemos ser explorados.
Como explicar que templos suntuosos são construídos em tão breve espaço de tempo? Por certo rola muita grana nas mãos dos "servos e obreiros". Episódios ligados à corrupção política e a escândalos financeiros foram fartamente comentados através da mídia. Quem não se lembra das malas cheias de dinheiro em mãos de "pastores"?
Interpretamos o aumento de certos grupos religiosos, primeiramente, pela ausência ou omissão, junto a pessoas e locais de carência, tanto da Igreja Católica, quanto de outras confissões evangélicas, de tradição protestante. Há situações de sofrimentos que incluem a falta de assistência e serviços sociais, especialmente nas áreas da saúde e da capacitação para o trabalho.
A mercantilização da fé, altamente rentável, é um fenômeno moderno. A fé tornou-se um insumo negociável barganhada por prosperidade material. Daí a expectativa de curas, libertação de doenças, resolução para encrencas sentimentais, explorando superstições, vinculando-as aos símbolos religiosos, atraindo pessoas não esclarecidas.
A história traz tristes exemplos de comercialização da fé, usando o nome de Deus em vão, defendendo ideologias, privilégios, poderes temporais. Sempre surge um "bezerro de ouro" em torno do qual o povo se consola com pão e circo. A sina do "deus dinheiro" acompanha as ambições humanas. A fé mercantilizada gera muita grana, ostentando força e poder, atraindo os que estão à procura de realização pessoal. Os que se "enricaram" com malas cheias de dinheiro foram absolvidos. O deus dinheiro é poderoso... Mas Jesus Cristo condena o acúmulo financeiro quando este não gera vida e rompe a comunhão solidária e fraterna. (Leia Lucas, capítulo 16).

Um comentário:

Anônimo disse...

Nesse caso, Gil.... acho que Dom Aldo se precipitou....
Pra que maior luxo que há no Vaticano?
Em certos casos, creio ser melhor silenciar.......